Asas


"Cisne" - Melissa Travagini, em Histórias de uma bailarina
Foto: Augusto César



A Ciência anuncia que as abelhas já demonstraram não apenas saber contar: elas também compreendem a 'ausência' das coisas como quantidade numérica. Ou seja, nenhum ou zero. Relatado em publicação científica, o teste até então havia sido aplicado apenas em primatas e um pássaro – um papagaio africano de nome Alex.

Trabalhando duro pela própria sobrevivência e pela nossa, as abelhas rendem bilhões de dólares, por exemplo, aos cultivadores de amendoeiras na Califórnia, Estados Unidos. Mais: vão além, quando se tornam fundamentais no passo inicial para a compreensão do relacionamento entre pássaros e seres humanos. Várias gerações de africanos são parceiros de aves selvagens de família específica, quando o objetivo é encontrar ninhos e mel de abelhas. A evolução na análise desse especial relacionamento tem permitido o avanço no conhecimento a respeito da dinâmica dessa comunicação.

A Ciência não sabe tudo também sobre aves. O professor Onur Güntürkün, da Ruhr-Universität Bochum, na Alemanha, mostrou recentemente que as gralhas são capazes de se reconhecer no espelho – o que é impossível à maioria dos mamíferos por requerer determinado grau de consciência. Até então, acreditava-se que pássaros não poderiam ser treinados como gatos e cachorros, nem desenvolver habilidades cognitivas complexas devido a não serem dotados de neocórtex.

Se avançamos a passos curtíssimos no conhecimento do que nos rodeia, a poesia, no entanto, desenha asas que nos fascinam desde sempre. A escritora Claude Bloc escreveu que, tingidas pela noite as últimas luzes do horizonte, o voo solo dos pássaros “os isola de norte a sul, como os pensamentos ligeiros vestidos de saudade”.

Melhor sorte terão outras asas. Como as dos cisnes ingleses, sobre os quais a realidade estendeu a proteção de Sua Majestade, a rainha. Já a Poesia tratou de imortalizá-los em O Lago dos Cisnes – o balé mais visto de todos os tempos.

Esgotam-se as oportunidades de repensarmos nossa indiferença em relação ao meio ambiente. Movidos cada vez mais pela ambição e pelo interesse em nossos próprios umbigos, é possível que as abelhas batam definitivamente em retirada, afastadas da convivência com humanos devido, por exemplo, ao uso de pesticidas na lavoura.

Diante da extinção de espécies e degradação do meio ambiente, talvez só então sejamos capazes de entender que solidão e saudade estarão, permanentes como nunca, entre as surpresas que nos reservou o futuro.

Comentários

Célia Rangel disse…
Não é de hoje que vemos esse alerta sobre os agrotóxicos e o meio ambiente. Destacam-se as abelhas, polinizadoras por excelência, diretamente encarregadas na produção agrícola de alimentos. Sabemos que é um problema mundial. E, o que estamos fazendo? Intoxicando a nós e ao meio ambiente. A continuar nesse ritmo, estudos acadêmicos indicam que em 2035 as abelhas estarão extintas. Olhe, vejo que bem antes disso estaremos envenenados em nossas próprias mesas onde nos alimentamos. Triste caminho!
Abraço.


Artes e escritas disse…
Desculpe o comentário, mas ao meu ver as abelhas estão desaparecendo pelo fato de serem abelhudas. Pessoalmente já aniquilei umas dez e fui picada por uma cujo ferrão foi retirado por uma moça que disse que entendia de ferrão de abelhas, antes de procurar auxílio para o batatudo dedão do pé, que inchou mesmo com o ferrão retirado. Pergunta-se: qual é o sentido de uma abelha picar o dedão do pé de alguém? Ou atacar as uvas ou mergulhar num copo de refrigerante e numa xícara de café em cafeteria? É um ponto de vista. Um abraço, Yayá.

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