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Mostrando postagens de Março, 2018

Ocaso

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(Imagem: Pinterest)


O diplomata e escritor Marcelo Cid publicou, numa rede social, dois enganos de crianças ao cantar o Hino Nacional brasileiro. No primeiro caso, uma turma inteira de pequenos estudantes ouvia o verso "do que a terra mais garrida" como "do que a terra margarida". No segundo, uma tia do próprio escritor, segundo ele, cresceria cantando "oh, lava a roupa e estende desse lado", ao invés de "o lábaro que ostentas estrelado".
Minha filha não deixava por menos, quando punha todo o fôlego em timbre de voz infantil para cantar "bendito o pernilongo desta fórmula", no lugar de "bendiga o verde louro desta flâmula". E para não sair de casa, aos quatro anos de idade meu neto Gabriel dava à melodia do hino um recheio de sons indecifráveis. Como pimpinichitu, umalibi e acebeldade. Em três "versos" ele recorria à palavra 'polvo': um polvo seu volato da pumompom, um polvo sa taná esse estante e um polvo e…

Papo de boteco

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(Imagem: MTLR)



- Vá acreditar na fidelidade das pessoas, que a vida logo te dá uma rasteira e derruba você uma, duas, várias vezes. Até você aprender que nada mais frágil e traidor que o pobre coração humano.
A sabedoria era proclamada por uma voz que sobressaía ao falatório do botequim lotado. Seguia dizendo que lá por onde andara apareceram, em certa ocasião, dois forasteiros de berço e hora desconhecidos. A um, pela aparência, se chamou Bigode. Ao outro, franzino e frágil, se atribuiu a alcunha de Provisório, dada a impressão de que logo desapareceria das ruas, encaminhado talvez aos cuidados de uma entidade assistencial.
Bigode e Provisório viviam em paz, sem brigas e confusões desnecessárias, nem ameaças à paz e à segurança públicas. O comportamento sociável de ambos era a garantia de alimento farto, olhares de complacente indiferença e muitos, muitos momentos de confraternização, diversão e diálogo com os irmãos em abandono.
Sabe-se lá por que razão, Bigode e Provisório afinaram…