terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Nem lebre, nem gato


(Imagem: Pinterestrealidade.paralela.tumblr.com)


Ah, os boatos...

Pode até ser útil enganar os outros para se divertir, extravasar um desejo de retaliação ou alcançar o poder. Bancar o espertalhão também pode dar mais lucro que cadeia.

Do engraçadinho que cola uma moeda na calçada para ver as pessoas abaixarem-se para catá-la, ao boateiro profissional que faz plantão permanente nas redes sociais, todos trazemos, em menor ou maior intensidade, o humano desejo de levar vantagem. E o fazemos a partir de cacoete que não admitimos ter, salvo em grau inofensivo e eventual: a mentira. Não mentimos. Os outros é que mentem a nosso respeito. A Lava Jato comprova.

Na internet, a mentira é vigorosa. Alimenta-se de farto combustível para voar à vontade, graças à ingenuidade, à má fé e à desinformação. Fabricantes de celulares já tiveram muito trabalho para desmentir boatos de que, disparando determinada quantidade de e-mails com a 'novidade', o remetente teria direito a um aparelho grátis. Também o bilionário Bill Gates já esteve no centro da boataria virtual, quando se espalhou que a Microsoft daria dinheirinho bom a quem se dispusesse a testar determinada versão de seu browser. A empresa teve que vir a público e publicar desmentido em seu site.

E o fabricante de motocicletas Honda – alvo, há uma década, de boataria espalhada pela internet dando conta de suposto envolvimento daquela indústria com mistérios do 'além'? Tudo por causa de uma peça em formato de cruz invertida, instalada junto ao farol dos modelos Titan CG 150. Embora sua finalidade fosse preservar e proteger a fiação elétrica, a “criatividade” abundante na rede viu ali o resultado de pacto com o diabo, feito pelo engenheiro que projetara o modelo. Mesmo com o desmentido oficial, teve gente na ocasião que pagou para retirar a tal peça da moto.

Coroando essa pérola da invencionice, os rumores chegaram aos pneus da Titan, fabricados com a denominação "City Demon". Assim como a Honda, a Pirelli também se veria forçada a publicar desmentidos, esclarecendo que Demon (demônio) "é uma palavra do idioma inglês que pode significar pessoa muito habilidosa em alguma atividade". A nota daquele fabricante afirmava ainda que o nome do pneu não estava associado "a qualquer manifestação religiosa", tratando-se apenas de "força de expressão" no reforço às condições difíceis enfrentadas pelo produto.

Todo mundo conhece casos e casos, incluindo ou não o uso da rede mundial de computadores. Na década de 80, um deles envolveu um sucesso dos programas infantis na época – o boneco Fofão. O falatório girava em torno de suposto punhal que o brinquedo traria escondido em seu interior. A 'arma', no entanto, não passava de uma peça de plástico usada para fixar a cabeça ao corpo do boneco.

Recentemente a Folha de S. Paulo trouxe bem fundamentada matéria, assinada pelo repórter Fábio Victor, mostrando como funcionam os sites que espalham notícias falsas e, através de títulos sensacionalistas e muita inverdade, faturam de acordo com a audiência. O alerta é válido, sobretudo diante das pesquisas que evidenciam a dificuldade da maioria dos leitores em distinguir boatos de informações confiáveis.

Enganado pelo que lê a ajuda a passar adiante, o leitor desavisado acaba se igualando ao sujeito que, ansioso para degustar um coelho assado a la dijonnaise, tira da sacola não um gato, mas a cópia malfeita e em preto-e-branco da estampa de um coelhinho da Páscoa.

Um comentário:

Célia Rangel disse...

Você já reparou como todos os políticos e seus advogados se defendem: - tudo é mentira... inverdade... falsidade ideológica... A "imprensa" faz o teatro... e assim, nos que votamos para nos representar, agem! Será que pensam que não sabemos distinguir "ratos de coelhos"... Mágicos não são para tirar "coelhos de cartolas"...
Agora, samba, suor e alegria... é o agito do carnaval... Alegria forçada ao povo...nem tanto...
Abraço.

De novo, a Esperança...

(Imagem: Pinterest) Renova-se o tempo em que, pelas luzes natalinas, recorremos com habitual sofreguidão a palavras como paz e espera...