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Mostrando postagens de Setembro, 2016

A lista

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(Imagem: Pinterest / Angel Boligan)
A uma semana da eleição, anotei os dois primeiros algarismos do número que identifica os candidatos por agremiação política. Pretendia com isto identificar, entre os mais de 400 candidatos a vereador em Juiz de Fora, a quais partidos e coligações os pretendentes ao legislativo municipal estavam filiados.
Fui ao site do TRE-MG. Ali naveguei exaustivamente sem dar com a relação dos candidatos. Enviei e-mail àquela repartição, solicitando que me informassem o caminho para chegar à tal lista, já que a mesma só estava então disponível com facilidade aos assinantes ou a quem se dispusesse a adquirir um exemplar do jornal local.
A resposta veio logo, acompanhada do link para alcançar o que eu pretendia. Mesmo exigindo certo nível de experiência com a internet (o site do TRE-MG não oferecia uma aba com atalho para se chegar facilmente aos candidatos), consegui chegar aos nomes.
Apesar desse relativo sucesso, não foi possível copiar a lista em formato legíve…

O candidato

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(Imagem: Pawel Kuczynski / yogui.co)

- O amigo fique sabendo que hoje me sinto mais leve, como há tempos não acontecia.
- Ah é? Posso saber o motivo desse ar assim tão satisfeito?
- Poder até pode, mas sabe como é, né? O assunto nem é muito bom de se conversar assim, numa fila de banco...
O outro deu um sorriso amarelo e calou-se. Para por um fim na conversa e dissimular a curiosidade, passou a ler as instruções de uso impressas na embalagem de um inseticida para plantas que trazia numa sacola. “Vai ver, o assunto do levezinho aí é mulher”, pensou.
- Mas o amigo fique à vontade se não quiser conversar a respeito. Eu não lhe confessei o motivo de meu alívio, e penso que não seria justo deixar assim a coisa no ar...
- Sim ? – o primeiro gemeu erguendo as sobrancelhas, mas sem desviar os olhos da embalagem de inseticida.
- Pois então, o motivo é a política.
O leitor das instruções de uso enfiou a embalagem de inseticida na sacola, arregalou os olhos e desligou-se do mundo para entregar-se à conv…

Nanicos

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(Imagem: Pinterest / Steve Cutts)


A triste página de sua história que a Nação escreve bem poderia dispensar o longo desfile, pelas tribunas da Câmara e do Senado, de políticos nanicos chamando a si os méritos pela cassação de mandatos – seja quem for o cassado –, exibindo-os como um troféu conquistado em batalha.
Essa demonstração de pequenez e imaturidade para exercer um mandato parlamentar tem marcado presença constante nos discursos de representantes de partidos que, em verdade, pouco ou nada dizem ao cidadão exasperado diante do que vê e prevê.
Se é indiscutível o fato de a democracia não prescindir de partidos políticos e seus membros, não menos verdade é que, apesar disso, persiste o mau cheiro que exala do cenário onde lideranças deveriam agir em nome do cidadão. Este, chamado regularmente a trocar seu voto por promessas tão voláteis quanto sorrisos e apertos de mão de candidatos durante a campanha eleitoral, tem sido desrespeitado sem o mínimo constrangimento da parte de quem o r…

Pimpinâncias

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(Imagem: BETLR)


Uma fileira de pequenos adesivos colados na parede do banheiro assinala importante conquista de Gabriel no uso, primeiro do peniquinho, depois do vaso sanitário. Dispostos em linha reta estão heróis, planetas, símbolos, logomarcas e bichos, entre os quais o golfinho Bastapolo, o cavalo marinho Lacutaco e o peixe Mutucalo.
Tempos olímpicos (relativamente ao esporte, e não ao caradurismo na política) acabaram apresentando aos quatro anos do herói o Hino Nacional Brasileiro. Dono de ouvidos sensíveis a ritmos e acordes e, além disso, atento e aplicado intérprete de canções que lhe despertem o interesse, o pequeno patriota deu início dia desses à cantoria no banheiro, diante das marcas enfileiradas de suas vitórias.
Em gravação feita pelo pai, o cantor começa com um surpreendente 'pimpinante' (retumbante?). E segue na melodia original:
"O alfava da umalibi pimpinichitu / O pipi ta na panela da xistante / Se espelhavam acebledade / Que va ser o môfo da felicidade /…

Notícia de amor

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(Imagem: Pinterest / Claude Monet)


A manhã azul e fria encheu-se do ruído habitual. A novidade era aquela inscrição no asfalto, pintada caprichosamente por mãos anônimas durante a madrugada: Laura, me perdoe. A súplica terminava em um coração bem desenhado, cujas linhas contornavam um buraco ainda pequeno, mas que a chuva e o trânsito se encarregariam de ampliar como a dor de uma paixão não correspondida.
Estrategicamente posicionada para ser vista do pequeno prédio de apartamentos bem em frente, a mensagem chamava a atenção de quem transitasse por ali, particularmente dos passageiros que aguardavam o ônibus na calçada do outro lado da rua. Quem seria Laura
- Falta de vergonha, sujar assim a rua... – reclamou a jovem abraçada a uma pasta recheada de papéis, apontando para a pichação enquanto buscava com o olhar o apoio da mulher que usava um chapeuzinho de flores.
- Gente que não tem o que fazer... – acrescentou o homem de guarda-chuva.
A mulher voltou-se para um e outro e argumentou: talv…