quarta-feira, 8 de agosto de 2018

O Patrono








Em tempos cinzentos e escassos de bom senso e clareza sobre o que se imporá ao país em nome de um eleitor em desalento, pode ser providencial apelar para Moro – não o juiz de Curitiba, mas Tomás Moro, o filósofo, estadista e mártir inglês do século XV.

Nascido em Londres no ano de 1478 de uma respeitável família, Tomás Moro era estimado por todos pela integridade moral, argúcia de pensamento, caráter aberto e divertido e extraordinária erudição. Eleito pela primeira vez para o Parlamento em 1504, no reinado de Henrique VIII, teve o mandato renovado dois anos mais tarde pelo rei, que o constituiu representante da Coroa, abrindo-lhe uma carreira brilhante na Administração Pública.

Tomás Moro desempenhou com sucesso várias missões diplomáticas e comerciais. Foi membro do Conselho da Coroa, juiz, vice-tesoureiro, cavaleiro e presidente da Câmara dos Comuns. Negando-se a apoiar Henrique VIII em sua decisão de assumir o controle da Igreja na Inglaterra, retirou-se da vida pública. Por ordem do rei, foi preso na Torre de Londres, condenado pelo Tribunal e decapitado.

Pela sentença, o réu deveria ser suspenso pelo pescoço e cair em terra ainda vivo, antes de ser esquartejado e, por último, decapitado. Pela importância do condenado, Henrique VIII, “por clemência”, reduziu a pena de Tomás Moro à decapitação. Os registros da época narram que, após tomar conhecimento disso, Moro teria comentado: "Não permita Deus que o rei tenha semelhantes clemências com os meus amigos”.

Beatificado pelo Papa Leão XIII em 1886 e canonizado quase meio século mais tarde por Pio XI, São Tomás Moro foi proclamado, em outubro de 2000 pelo Papa João Paulo II, “Patrono dos Governantes e dos Políticos”. Entre as muitas razões para essa proclamação, João Paulo II deu ênfase “à necessidade que o mundo político e administrativo sente de modelos credíveis, que lhes mostrem o caminho da verdade num momento histórico em que se multiplicam árduos desafios e graves responsabilidades”.

Fosse vivo, o patrono poderia estar horrorizado com tanta inclemência de seus defendidos para com o povo que dizem representar.

3 comentários:

Marcos disse...

Realmente só nos resta apelar ao Santo Tomás Moro. Esta missão, está mais para
"Missão Impossível".Creio que S.Tomás Moro vai estar "fora" do ar para estas eleições.
Como sempre excelente texto.
Abraço

Célia Rangel disse...

Clamemos por todos os santos, uma vez que nossa situação política/administrativa e, portanto, social vive um pesadelo do qual dificilmente acordaremos... Tamanha imprudência de alguns para com todos nós, pensam que nos nivelam pela classe mais ínfima de racionalidade. Absurdo é o momento que vivenciamos. Está difícil sonharmos com dias melhores!
Abraço.

Artes e escritas disse...

Conforme disse anteriormente em algumas postagens, eu me converti ao cristianismo e sou da denominação Batista. A doutrina diz que se separa Estado e Igreja porque as suas finalidades são diversas. Eu creio que somente Jesus Cristo pode ajudar e salvar as pessoas, não dos sofrimentos da vida, mas da alma ir para o "inferno". Sigo à risca a separação entre Estado e Igreja, porque a educação familiar assim ensinou, incluindo nessa educação avôs e avós, além de pai e mãe, porque ao final dos resumos, eram todos da mesma opinião. Também para mim, é mais importante pregar a palavra do que a política, pois a política é desse mundo, mas temos que acrescer ao espírito enquanto alma durante toda a vida, ou seja, enquanto vivemos nesse mundo. Obs.Ah, sou leiga nos assuntos inseridos no seu texto, portanto aguardo as eleições e pretendo votar em alguém que seja sério. Um abraço, Yayá.