domingo, 17 de dezembro de 2017

Ruínas

(Imagem: Pinterest)

Lá se vai a casa, demolida para cumprir ordem urgente dos tempos que, indiferentes ao bem-estar dos viajantes, abalam a nave dos costumes, arrastando consigo pessoas, casas e cidades. Em algum lugar, que fingimos infantilmente distante, tentamos abandonar um passado com cara de vergonha e inutilidade.
Pois lá se vai a casa de histórias surpreendentes, de risos e de sonhos. O teto que agora é demolido encobriu momentos de dor, descobertas, encontros e desencontros. Entre as paredes cinzentas elevaram-se preces aflitas para confortar e agradecer. Olhos sorridentes nas chegadas cerraram-se em lágrimas nas partidas, recolhidas ao silêncio dos corações.
A pressa que devotamos à tecnologia, reverentes aos apelos sedutores do mercado, ameaça fazer de nós seres ansiosos em virar páginas de nossa história. Queremos saltar etapas, deixando para trás sonhos antigos, amores eternos, mãos estendidas, amizades para toda a vida. Para frente é que se anda!
Talvez ainda seja possível crer que paredes que tombam numa nuvem de pó e de lembranças não levem junto histórias de vida. Histórias que o passado cuidadosamente atou ao alicerce de valores impiedosamente devastados.
Bastará, para isso, um fiozinho que seja de humana generosidade.

Um comentário:

Célia Rangel disse...

A pior de todas as "Ruinas" é a falta de generosidade humana... Há nessa época natalina, e de final de ano, momentos de pequena lucidez onde se pensa nos que foram "demolidos" por tanta insensibilidade humana. Mas é como um fogo fátuo... Breve... Brevíssimo! Logo se expira, infelizmente.
Abraços natalinos.

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