domingo, 11 de junho de 2017

Dúvida de professora

(Imagem: Pinterest)


Há uma professora mineira, aposentada, recolhida em sua rotina de esposa, mãe, filha, avó e dona de casa, que, diante do noticiário da tevê, pensa alto lamentando a sorte dos professores de História do Brasil de amanhã. Como explicar, em sala de aula, a trajetória de um País tido como 'do futuro' desde a sua descoberta, e que tenha chegado ao século 21 em tão devastador estado de degradação moral e ética, com boa parte de suas elites e líderes políticos chafurdando numa pocilga de crimes contra a Nação?

Desnecessário reiterar sobre argumentos, explicações, desmentidos, denúncias e suspeitas. Inútil reter-se na tentativa de escolher um caminho entre a profusão de palpites, diagnósticos, soluções, pareceres e análises que não vão muito além de algo como agitar um abanador diante de um paciente trancafiado em forno de padaria aceso. O calor insuportável da vergonha que sentimos parece vir da usina de cinismo e arrogância que medra feito tiririca pelo país, a partir de Brasília.

Avançamos no caminho da democracia, mas a beira do abismo não se afasta dos nossos calcanhares. De olho no calendário e ao menor sinal de variação da temperatura política, o Congresso Nacional se esvazia, com a maioria de seus integrantes disparando em direção ao aeroporto da Capital Federal. É necessário esforço de super-herói para que inquéritos e investigações sobrevivam a larguíssimos prazos, pedidos de vista, manobras jurídicas e, claro, ao vermelho abrangente do calendário civil. Sem falar das ações que brotam dos cochichos em subterrâneos do Poder.

Diante do que vê – e tentando se preparar para o que ainda não sabe – o traído eleitor brasileiro se defronta com enorme desafio: o de resgatar a esperança de um futuro sem a rapinagem de quadrilhas de bolsos largos, mãos ágeis e discursos prontos. No passo em que seguimos, já será meio consolo constatar que, sobre honestidade, tudo o que parte de nossos representantes deve saber é que a palavra se escreve com a letra h.

De resto, sempre se tentará explicar tudo – ainda que com argumentos toscos e ofensivos à verdade.

Quanto à sociedade, a ela caberá responder com altivez e liberdade, sem optar jamais pela aquiescência ou pelo silêncio.

Um comentário:

Célia Rangel disse...

Pensava isso mesmo, principalmente quando escolas proíbem seus mestres de opinarem politicamente... Estamos criando uma leva de seres manipulados pela mídia tendenciosa... Currículos serão alterados? Talvez. Mas, a poluição mental já terá danificado mentes jovens, sobre valores que se perderam nos tribunais, que julgam em causa própria! Lamentável!
Abraço.