sexta-feira, 12 de maio de 2017

Mudança

(Foto. Mariana Pietrobon)




Mariana publica em rede social, foto da bagagem que leva de mudança para outra casa, outro esconderijo para seus sonhos e sua solidão, suas lembranças e suas saudades. Diz que segue para um destino feliz, deixando para trás um lugar onde não foi muito feliz, nem muito triste.

Mudar-se é também deixar e carregar saudades. Casas vazias se parecem um pouco com ferrovias: evocam histórias, dizem de mudanças. Sobretudo quando se vai como Mariana, de quem sei de lágrima recente.

Os dias contam que não ser muito triste já equivale a ser feliz. Até porque, à exceção de Deus, nada e ninguém é perfeito.

O casal de velhos meus vizinhos anunciou que partiria de volta à terra natal, no Nordeste. Passa o tempo, e a permanência de ambos por aqui ganha jeitão de mudança – mas de planos. O que ao menos retarda a visão de uma casa silenciosa e vazia, onde tantas vezes a família se reuniu em alegres celebrações.

Mudança é ainda recomeço que faz morrer aos poucos tristes lembranças, transformando dores em chama de luminosa esperança. Este, o rastro que deixamos e que vale a pena ser seguido.

Antevejo o adeus de Mariana. Já lhe percebo as pegadas em flores coloridas, que ela diz retirar das lições e percalços da vida.

Aceno então de coração para aquela que, espero, seja a mais feliz das Marianas.



5 comentários:

Mariana Pietrobon disse...

Que lindo Eduardo, sensível e cheio de todas as tintas, como só vc sabe fazer. Agradecida viu, querido? Muito agradecida.

Islene Teles disse...

Ola, Eduardo
o texto é lindo de viver. Amei. Abraço.

Célia Rangel disse...

Tenho certeza, Eduardo, que vai calar fundo em Mariana, a saudade dessa sua crônica cheia de vida poética de pessoas, ainda que longe, seguem em toda mudança que jamais serão esquecidas.
Seja feliz, Mariana!
Abraço.

Mariana Pietrobon disse...

Agradecida Célia.. serei feliz. Prometo!

Marcus Porvinha disse...

Estão aí, todas reunidas, palavras que eu gostaria de dizer para a minha Querida Mariana. Parabéns, Eduardo (tenho um filho com esse nome) e desejaria que ele tivesse a sensibilidade para com as pessoas, com a qual, escreveu esse texto. Felicidades!