domingo, 2 de abril de 2017

Bla bla bla

(Imagem: Pinterest / Sainer)


É favor que não me façam ver sorrisos de cinismo e escárnio, nem ouvir discursos e declarações que sublinhem históricas necessidades e veteranas urgências nacionais. Não quero ouvir promessas rasas, às quais uma coreografia teatral tenta emprestar ênfase e credibilidade.

Cansei de ler frases feitas, com acusações e suspeitas sobre isso e aquilo, assim como afirmações que não se confirmam e desmentidos que se desmentem. Pressinto o adiamento reiterado de uma justiça que, anunciada, surge tímida, para sair de cena aos poucos, de fininho. À francesa, como se dizia.

Desnecessário que se reiterem monótonas e repugnantes notas de esclarecimento que não esclarecem, assim como a existência de prazos quase infinitos para a defesa do indefensável. Também não me interessa a repetição sonolenta da voz oficial, que transmite e oficializa a morosidade que escala o tempo como um bicho preguiça.

Por favor, parem de repetir que calúnia e difamação serão desmascaradas pela verdade – palavra que rasteja em andrajos, sem fôlego e sem crédito. Ao contrário de outras, como pensática por exemplo. Oculta no anonimato e, ao que parece, distante de qualquer definição etimológica (atenção, escritor e diplomata Marcelo Cid!), uma sua assemelhada – a palavra solucionática –  já se aproxima dos dicionários.

Tendo alcançado esta altura dos rogos que faço, sugiro que mandemos ao descanso merecido a palavra preconceito. Sem fôlego, a pobre coitada anda de queda em queda aqui e ali, despertando olhares incrédulos e duvidosos.

Mais do que falar em esperança, tratemos de induzi-la e justificá-la às gerações que vem vindo.

Porque elas não precisarão, nem de mitos, nem de heróis.

Um comentário:

Célia Rangel disse...

Que momento horrível vivemos, não é mesmo Eduardo... Quanta nulidade falada e escrita... Manipulam nossa inteligência mental e emocional como se fôssemos meros fantoches. Basta! Cansados estamos todos! Não nos subestimem, por favor!
Abraço.