terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Exercícios de imaginação


(Imagem: Pinterest / Wolfdancer)




Associemo-nos num exercício de imaginação. Exercício, só.

Aprovada por algo como um fórum global, imaginemos norma internacional que passasse a exigir dos candidatos a qualquer cargo público, eleitos, nomeados ou concursados, o atendimento obrigatório de determinados procedimentos. Fiscalizado o seu cumprimento com severidade, a violação desses preceitos seria impensável pelos prejuízos econômicos e sociais desastrosos dela decorrentes.

Assim, as promessas de campanha de um candidato somente seriam consideradas após sua experiência no exercício da rotina de cidadão comum-comum (quando em campanha, todos se definem cidadãos comuns. Como você, minha amiga e meu amigo).

A trajetória (ininterrupta?) até o poder começaria, pelo período em que durasse a campanha, privando-se o herói do conforto de qualquer outro meio de transporte que não o transporte público: ônibus e metrô. Carro particular, moto, carona de amigo - nem pensar. Excetuando-se essas modalidades, só se admitiriam saudáveis caminhadas e bicicleta. Ou também charrete, skate, patinete e que tais. Outras modalidades de transporte motorizado, só táxi (em algumas circunstâncias), ambulância ou, em caso extremo, carro fúnebre.

Também como você, cara amiga e caro amigo, o candidato estaria obrigado, se necessário, a buscar atendimento de saúde apenas na rede pública durante aquele período. Idem com os medicamentos, caso sua renda mensal não suportasse essa exigência.

Com remuneração limitada ao salário ou aposentadoria (o recurso a outras fontes de renda estaria vedado durante a campanha), o candidato também teria que frequentar supermercados e feiras livres para abastecer-se e abastecer a família. Haveria, é claro, um limite de gastos pré-fixado e que não poderia ser ultrapassado.

Dispondo de condição muito confortável de moradia, o valente deixaria de lado o conforto e passaria a habitar residência modesta, sem garagem e em bairro popular, pagando do próprio bolso o seu aluguel. Não se admitiria qualquer tipo de segurança pessoal, é claro. Assim como você, cara eleitora e caro eleitor.

Eleito, e independente de quaisquer condições, o candidato somente seria empossado depois de comprovar o atendimento às determinações da tal norma, incluindo a de ter conseguido conquistar, durante o tempo de campanha, uma vaga de trabalho, mesmo que temporária. Para tanto, o cidadão deveria submeter-se a todas as exigências e sacrifícios para inscrever-se e passar pelo processo de seleção.

Fiscalizados permanentemente por um conselho atuante e incorruptível (talvez aqui houvesse alguma dificuldade), os vencedores seriam submetidos com regularidade, durante seus períodos de gestão ou mandatos populares, a rotinas como a do transporte, a da limitação dos gastos, e a outras para as quais provoco a imaginação do cúmplice leitor. 

Em todos os casos, sem nenhuma exceção, tanto candidatos quanto eleitos, nomeados, concursados ou empossados, deveriam dispor de sinal de internet na velocidade fornecida e a preços cobrados à maioria da população; ter disponibilizados seus números de telefones fixo e celular (telefone fixo seria obrigatório) e – importantíssimo – serem, priorizados para contato permanente por todas as bancadas de telemarketing, a começar das que trabalham para as operadoras de telefonia e cartões de crédito.

Um comentário:

Célia Rangel disse...

Sonho...
Seria maravilhoso, até porque não encontraríamos nenhum ser que se dispusesse a tal "projeto político"!
Só assim teríamos a paz e a igualdade social tão desejada, por nós, cidadãos e cidadãs comuns...
Abraço.