terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Paz na serra


(Imagem: José Carlos Brandão / Facebook)



Recorro a foto que José Carlos Brandão compartilha através de rede social. É por ela que suponho a paz que, ainda ou sobretudo, se esconde em recantos longínquos. Lá, por onde não se percebem traços da rotina que indigna o país pela injustiça e pelo escárnio.

A velha casa, em cenário bucólico na Serra da Canastra, evoca silêncios que guardam história e sabedoria. Vejo bananeiras em torno dela, adivinho jabuticabeira, pitangueira, mangueira e um pé de abacate. Não se saberá das marcas de encantos e desencantos que o tempo e a serra testemunharam, ocultas pelo mato rasteiro que cobre o chão.

A ausência de uma antena de tevê espetada no telhado centenário reforça a presença de silenciosa paz. Silenciosa e preciosíssima paz, que nos preserva do interminável bombardeio de caras, declarações, notas, desmentidos e discursos de quem nos supõe em estado de idiotice permanente.

A foto não mostra flores, nem pássaros. Mas eles certamente estavam lá, trinando e colorindo o que pode ser um pedaço de paraíso, onde a vida escoa lenta e sem segredos na sua essência.

Lenta e sem segredos. Mas misteriosamente fascinante a quem seja capaz de enxergá-la de portas e janelas escancaradas, despertando nos corações simples um enigmático e silencioso sorriso.

Um comentário:

Célia Rangel disse...

Essa paz filha do silêncio com a sabedoria, mostra-nos a essência do viver!
Abraço.