segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Pimpinâncias

(Imagem: BETLR)


Uma fileira de pequenos adesivos colados na parede do banheiro assinala importante conquista de Gabriel no uso, primeiro do peniquinho, depois do vaso sanitário. Dispostos em linha reta estão heróis, planetas, símbolos, logomarcas e bichos, entre os quais o golfinho Bastapolo, o cavalo marinho Lacutaco e o peixe Mutucalo.

Tempos olímpicos (relativamente ao esporte, e não ao caradurismo na política) acabaram apresentando aos quatro anos do herói o Hino Nacional Brasileiro. Dono de ouvidos sensíveis a ritmos e acordes e, além disso, atento e aplicado intérprete de canções que lhe despertem o interesse, o pequeno patriota deu início dia desses à cantoria no banheiro, diante das marcas enfileiradas de suas vitórias.

Em gravação feita pelo pai, o cantor começa com um surpreendente 'pimpinante' (retumbante?). E segue na melodia original:

"O alfava da umalibi pimpinichitu / O pipi ta na panela da xistante / Se espelhavam acebledade / Que va ser o môfo da felicidade / Pulvanado vossa excelência / Que va ser o mofo da natuleza / Você pinquê, inda megê, sem ser pingê, sansão / Da fôlve de são blinau flugê cissu / Um polvo seu volato da pumompom / Um slom tão panão uvê etu / Um polvo sa taná esse estante / Se beleza, a ser beleza / Que fazer o morro da natuleza / Ta sa fundano, tem nui da, tem nui da, ô da / Um polvo esteve la ta sa fundano a ti..."

Às palavras novíssimas que Gabriel nos apresenta, certamente se juntarão as mumificadas fúlgidos, impávido, fulguras, florão, garrida, lábaro e plácidas, tão desconhecidas para ele quanto para milhões de brasileiros adultos, alfabetizados ou não. Ainda assim, Gabriel certamente haverá de dominá-las em futuro que se deseja brilhante, com a beleza da natureza preservada e onde excelências não permitam o môfo de uma felicidade nacional sempre adiada.

Sem poder contar com um Sansão que nos dê uma mãozinha, que ao menos mereçamos as bênçãos de Deus e um pouquinho da fôlve de São Blinau.

Amém.

Um comentário:

Célia Rangel disse...

Não fosse o Gabriel, um autor já bem nosso conhecido, essa crônica deveria passar por uma séria censura... Diverti-me e muito... A cantoria no banheiro, está plenamente de acordo com o que fazem com o país: - ..."Ta sa fundano, tem nui da, tem nui da, ô da / Um polvo esteve la ta sa fundano a ti..." Realmente é "o mofo da felicidade"... Então, rezemos a "São Blinau"(nome de santo com duplicidade de significado!!)... que de repente acabará canonizado!!
Abraços.