sábado, 17 de setembro de 2016

Nanicos



(Imagem: Pinterest / Steve Cutts)


A triste página de sua história que a Nação escreve bem poderia dispensar o longo desfile, pelas tribunas da Câmara e do Senado, de políticos nanicos chamando a si os méritos pela cassação de mandatos – seja quem for o cassado –, exibindo-os como um troféu conquistado em batalha.

Essa demonstração de pequenez e imaturidade para exercer um mandato parlamentar tem marcado presença constante nos discursos de representantes de partidos que, em verdade, pouco ou nada dizem ao cidadão exasperado diante do que vê e prevê.

Se é indiscutível o fato de a democracia não prescindir de partidos políticos e seus membros, não menos verdade é que, apesar disso, persiste o mau cheiro que exala do cenário onde lideranças deveriam agir em nome do cidadão. Este, chamado regularmente a trocar seu voto por promessas tão voláteis quanto sorrisos e apertos de mão de candidatos durante a campanha eleitoral, tem sido desrespeitado sem o mínimo constrangimento da parte de quem o representa, agravando um mal que pela própria democracia se deve curar.

Buscar vantagens servindo-se da tragédia é prática recorrente. Veja-se o exemplo da mídia, que explora o tema à exaustão visando apenas assegurar audiência e faturamento. Rumina-se sem dó, nem piedade, a morte trágica do ator e a do anônimo nas ruas, vítima da insegurança que a improbidade alimenta com fartura. Sob a falsa aparência de solidariedade ou prestação de serviço, destrincha-se a dor e o sofrimento alheios para lucrar.

"Há, sem dúvida, uma estreita ligação entre a avaliação que o cidadão faz do Parlamento e o desempenho ético dos parlamentares", escreveu o então deputado Aécio Neves na introdução da edição de 2002 do Código de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados.

E há mesmo. Uma ligação que, de tão estreita, tem passado despercebida por boa parte dos que entendem representar um eleitor cada vez mais determinado a cassar-lhes o mandato que usurparam.

Um comentário:

Célia Rangel disse...

Ainda fico perplexa ao conectar-me à mídia em geral, ao buscar saber do meu país e do mundo, globalizado, também, na desfaçatez e ironia, de quem diz nos representar, nas altas cúpulas governamentais! NÃO! É chegada a hora, passou da hora, de mostrarmos que não somos esclerosados, alienados de suas práticas, no mínimo desclassificadas enquanto ética social. Usurpam nossos direitos e, como bengala indecorosa, apoiam-se na Constituição... há muito desconstituída! Nanicos ficamos todos nós se submetermo-nos à tamanha indignidade!
Aplaudo seu post, Eduardo! Parabéns!
Abraço.