sexta-feira, 13 de maio de 2016

Códigos



Imagem: BETLR


Às vésperas do Dia das Mães, Gabriel foi solicitado a colaborar em singela homenagem à Andréa, com um desenho que a representasse. Aos quatro anos de idade, sua experiência e visão do mundo levaram-no a retratar-se ao lado (ou à frente) da figura maior, ambas em posição que sugere movimento.

Tanto a figura em verde quanto a outra, em rosa, têm os braços estendidos – uma, pronta a abraçar o mundo; a outra, em amparar a figura menor, esta sem pernas definidas, como se da ausência delas se percebesse a necessidade de proteção para os primeiros passos em mundo de tantas e inesperadas surpresas.

Mães são assim mesmo, desde sempre. Por mais que a vida as maltrate e a amargura as domine, partirá de alguma fibra de seus corações um gesto ou uma lágrima de amor aos filhos. Porque, quando se trata deles, raiva de mãe não é verdadeira. Nem raiva, nem impaciência ou desalento. Amor de mãe, para valer, dura a vida toda. Do amanhecer no útero ao anoitecer da vida.

Como no desenho de Gabriel, há para todos um sol que aquece e ilumina a caminhada, seja ele também – e sobretudo – o sol da fé.

E enquanto não se alcança o Amanhã, seguiremos decifrando para os caminhantes de primeiros passos como Gabriel, o que é possível decifrar da infinitude de códigos com que a vida nos surpreende. Ainda que seja o código que ele apresentou ao pai dia desses, quando pediu algo 'ingual naná'.

- Naná?

- É, naná – Gabriel respondeu. - Ingual naná, que você me deu ontem...

E tudo ficaria rapidamente resolvido com um copo de guaraná.

2 comentários:

Célia Rangel disse...

Ai que delícia, Eduardo!!
Aqui a nossa pequena Isabele, também desenhou ela e a mãe achando que sua arte ficara melhor que o original!
E, dia desses levando 'bronca' do pai... olhou bem para ele e disse:
- "A vida é minha e eu me mando,viu"...
Assim, Gabriel e a Isabele, do alto de seus 4 aninhos patenteiam seus códigos!
Abraço.

Lau Milesi disse...

Que gracinha!! Ver uma criança desenhar é apaixonante. Que visão linda que o pequeno artista tem do mundo! Amei os movimentos. Nota-se que é uma criança feliz. O Elio, meu varãozinho, também me encanta com suas riquezas de detalhes em suas obras. :)
Um abraço, Eduardo.Aprecio demais suas crõnicas.