segunda-feira, 2 de maio de 2016

Cão e gato

(Imagem: Pinterest / Jean Julien)



Quem se disponha a acompanhar o noticiário político, confirmará a suspeita de que a gritaria que se ouve não vem da sociedade, vítima do caos que se instalou na República, mas dos que fazem lembrar o ladrão da anedota e que roubou um porco: surpreendido com o animal às costas, manifestava surpresa enquanto pedia para que lhe tirassem "aquele bicho" dos ombros.

Acusadores e acusados trocam ofensas e desaforos, ironias e cusparadas, mas ninguém fecha a mão para bater no peito em mea culpa. Há erros e há errados, mas estes são 'os outros'. Quanto ao povo, entra nisso como o nome de Deus: evocado sempre como reforço do discurso e apenas isto. Muita citação e, em muitos casos, pouca ou até nenhuma identificação com o citado.

É preciso não esquecer que a responsabilidade primeira é nossa como eleitores, que escolhemos quem vai nos representar. Essa escolha é quase que integralmente feita a partir de pouca ou nenhuma informação sobre os candidatos, salvo o que ele próprio ou seu partido querem tornar público. Votamos na promessa fácil, no rosto remodelado em fotos digitalizadas, no sorriso e no gesto de simpatia. Para dizer o menos.

A maioria expressiva da população brasileira tem acesso à internet via celular, por onde também se chega às redes sociais. Pois a mesma ferramenta pode levar o internauta a se informar sobre seus candidatos, se respondem a processos e por qual motivo, se os partidos a que estão filiados integram base de apoio ao governo ou à oposição. Porque, convenhamos, horário político obrigatório no rádio e na tevê, na forma como é feito para atender a milhares de candidatos de dezenas de partidos, é uma bobagem e um desserviço.

Se, de acordo com a conveniência e diante de um bicho que mia, caça ratos e bebe leite, governo e oposição costumam afirmar que é cachorro, cabe ao eleitor botar os óculos da cidadania e, identificado corretamente o bicho pela Justiça, dispensar da vida pública os espertalhões.

Um comentário:

Célia Rangel disse...

Já que estamos falando de bichos... talvez a historinha "O Rei da Floresta" possa iluminar "egos" colocando-os em seu devido lugar, se dermos a exata interpretação da "moral da história": Os grandes sempre vencem... Aqui no caso da sua crônica, Eduardo, vejo grande semelhança! Ah! Podres Poderes!
Abraço.