domingo, 10 de abril de 2016

Em ebulição

(Imagem: Pinterest, do álbum de Petit Poá


O Brasil, que já foi um país de 'técnicos' de futebol, se transformou em celeiro de 'juristas'. Por aqui as esquinas, os bares, os lares e as piscinas se enchem de especialistas na Constituição – todos esgrimindo certezas sobre o que é ou não é crime.

Vivemos tempos em que indício de crime vira crime, e crime não passa de desinformação e incorreta interpretação do que diz a Lei. Há convicções de parte a parte, onde se digladia e não se poupam as cordas vocais para bradar o que um ex-presidente da República definiu certa vez como ‘um nhém-nhém-nhém’.

Soluções? Acenam-se algumas. Porém, a maliciosa e impatriótica divisão a que se procura levar a sociedade desorienta e confunde, surpreende, leva ao desalento e à indignação. Mas ela saberá optar, em meio à tamanha gritaria, pelo que diz a verdade não apenas na letra da Constituição, mas ainda pelo que a própria sociedade depura das amostras do que respinga fora desse caldeirão de dejetos.

A verdade, aliás, não costuma avermelhar rostos nem elevar punhos ameaçadores. Em realidades como a que vivemos, ela sussurra à razão com serenidade e equilíbrio, revelando a farsa e re-unindo o que, impiedosamente, se procura dividir.

É o que tanto se deseja a um País que tem pago altíssimo preço para avançar na realização do seu futuro.

2 comentários:

Célia Rangel disse...

Sua crônica verbal e extraverbal, Eduardo, denota excelentemente o momento em que fomos todos atirados nesse caldeirão de bruxos e bruxas com suas alquimias tentando promover direitos e deveres, com pouco ou nenhum conhecimento de leis... País do futebol, do carnaval e agora, da involução politico-social. Até quando ficaremos feitos "jõaes-bobos" na roda desses parlamentares que dizem representarem o Brasil... Tenho cá minhas úvidas. Vejo uma batalha do poder pelo poder e não pelo país.
Abraço.

Lau Milesi disse...

Excelente!!!
Atualíssima,Filosófica,jornalística.
Adorei seus recursos estilísticos.:)
Parabéns,Eduardo!

Se vc me permite,vou levar para mostrar,como exemplo de uma crônica perfeita, a uma de minhas netas que está se interessando pelo tema.
Um abraço.