segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Noel, Noel...

(Imagem: Pinterest)

Acima da multidão que transitava pelo centro da cidade, movimentava-se também uma árvore de Natal em dourado e adornada com laços, bolas, brilhos e cores. Um braço forte erguia o arranjo acima das cabeças.
Levando nos olhos o brilho do Natal, um menino acompanhava a árvore agarrado à fralda da camisa do dono do braço. Este, por sua vez, seguia a passos rápidos, abrindo caminho com muitos 'licencinha' e advertindo os distraídos para 'o pesado'. Na outra mão, levava um saco vermelho cheio de pacotes.
- Pai, vai ter presente pra mim?
- Vai sim, filho, mas só na noite do Natal. Papai Noel vai levar.
- E esses aí do saco?
- Esses eu vou levar pro Noel, que ele vai distribuir lá onde ele mora...
E o homem seguia arrastando o menino e seus sonhos. Até que ambos pararam ao lado de uma velha Kombi, cuja porta o homem abriu e por onde enfiou a árvore. Em seguida, tirou do saco de pacotes uma caixa embrulhada em papel colorido e amarrada com fita.
- Esse presente aqui eu dou pra V. agora, filho. Espera aqui na calçada, que o pai vai fazer funcionar a Kombi.
Rapidamente o homem conseguiu braços solidários que empurraram o veículo. Uma nuvem de fumaça branca envolveu a todos quando o motor deu a partida. Cabeça para fora da janela, o motorista acenou agradecendo e almejando feliz Natal aos braços solidários. Arrancou e desapareceu.
Enquanto isso, na calçada o menino era abordado por um guarda de trânsito e uma gorda agitadíssima. O policial falou primeiro:
- Menino, cadê seu pai?
- Ele morreu.
- Morreu? – perguntou a mulher, indignada. – Não foi ele quem saiu ali naquela Kombi?
- Não senhora – respondeu o garoto. – Aquele homem eu nunca vi, ele só pediu pra eu vir com ele até o carro, chamando ele de pai. E que aqui eu ia ganhar um presente, mas me deu foi essa caixa vazia...
- Bandido! – desabafou a mulher. – Roubou os arranjos de Natal do shopping e ainda mentiu pra essa criança...
Vendo que fechavam um círculo em sua volta, o garoto deu um salto e também desapareceu no meio da multidão.
Na calçada ficou a caixa, enfeitada com laço de fita.
(Repost)

3 comentários:

Célia Rangel disse...

Assim, seguem as ilusões do Natal! A corrida pelo "ter"... os brilhos, as luzes, as cores, o atletismo pelas ruas do "comprar e se iludir de ter encontrado a felicidade:- em uma caixa vazia!
Abraço.

Elvira Carvalho disse...

É o Natal do consumismo, da falta de sentimentos, o Não-Natal.
Abraço

Sandra disse...

Amigo Eduardo, uma amiga de infância enviou hoje esta mensagem, da autoria de Benjamin Franklin: "Uma boa consciência é um Natal contínuo"...
Abraço amigo, Sandra