sábado, 19 de dezembro de 2015

Leitor Feliz

(Imagem: Pinterest)



Lá vem chegando o Natal, com suas compulsórias luzes municipais estendidas aqui e ali, esmaecidas pelos déficits nas contas públicas e pela inexistência de patrocinadores. No comércio, alguma cor tinge o sorriso amarelo de vendedores repletos de expectativas que se realizam preguiçosamente.
À porta de um armarinho, uma fantasia ordinária de Papai Noel veste manequim com jeitão de quem anuncia calça de tergal e camisa volta-ao-mundo. Cara de anos 60, parcialmente coberta por mal arranjada barba. Na falta de enchimento adequado a uma barriga proporcional, alguém enfiou pela cabeça do falso velhinho uma caixa de papelão, dando-lhe assim um abdome quadrado.
As calçadas se repovoam de olhares e mãos adestrados tanto ao peditório quanto à rapinagem. Nos edifícios, proliferam listas arrecadatórias para o Natal do porteiro, da faxineira e do lixeiro. Este, aliás, já se defende historicamente aos gritos, assobios e buzinadas na medida em que o mês de Dezembro avança para seu final. Nos balcões do comércio, pululam as caixinhas de coleta de trôco e de não-trôco.
Pela mídia, o Natal chega cenográfico, tantas vezes cheio de pieguice e de promoções. Aparece nos votos gelados e formais que antecedem concorridos banquetes corporativos para celebrar a ocasião e selar compromissos futuros.
O Natal também dá o tom no arranjo decorativo desfeito pela tragédia que interrompe natais, embala sonhos infantis de querer, e dispara o humano e deturpado dever de consumir.
Lá vem chegando o Natal, que não esconde nossas chagas diárias de malquerer – antes colocam-nas em destaque na falsidade dos discursos e das promessas, no afanar das esperanças tardias e na condenação, pela mentira, dos pobres a mais pobreza. Uma pobreza que ofende e que clama incessantemente por justiça.
Não é esse Natal que desejo ao leitor, mas o Natal verdadeiro, de Luz e de Esperança verdadeiras que redimem, aquecem e alegram o coração que crê em um futuro de Paz.

5 comentários:

Célia Rangel disse...

Eduardo!
Retornemos à manjedoura, onde na simplicidade nascia-se... Via-se pai e mãe. Uma família! Havia partilha e sabedoria de vida! Quero esse Natal hoje e sempre aos meus e, claro, partilho com os teus queridos familiares! Bênçãos natalinas haverão de contemplar nossos sonhos, ainda que literários, por todo Ano Novo!
Abraço.

MARILENE disse...

Triste realidade!! Que o seu Natal seja o verdadeiro, como descreveu em seus votos. Abraço.

Rosemildo Sales Furtado disse...

Olá Eduardo! Que tenhas um Natal real, com muito amor, saúde, paz e felicidades, juntamente com os teus.

Abraços,

Furtado.

manuela barroso disse...

Feliz de quem ainda sente os cheiros do autêntico Natal.
Que tenha sido de Paz!
Bom fim de semana

Lucélia Muniz França disse...

“A cada dia de nossa vida, aprendemos com nossos erros ou nossas vitórias, o importante é saber que todos os dias vivemos algo novo. Que o novo ano que se inicia, possamos viver intensamente cada momento com muita paz e esperança, pois a vida é uma dádiva e cada instante é uma bênção de Deus.”

Que todos os seus desejos se realizam no ano vindouro!
http://www.luceliamuniz.blogspot.com.br/