terça-feira, 13 de outubro de 2015

Façam o jogo, Senhores!

(Imagem: Google / Revista Forum)



“Tenho vergonha do Congresso Nacional do meu país”'.
A frase circula em adesivo colado no parabrisas traseiro de um veículo cujo motorista, a exemplo de muita gente, deve se considerar apenas vítima dos maus políticos. Em circunstâncias como as que vivemos na política, parece escapar à percepção comum que a má escolha é responsabilidade nossa, e não 'dos outros'.
Se poderes da República nos constrangem, então é porque provavelmente votamos mal. Simples assim. Com a palavra devastada, maltratada e desacreditada como se dá atualmente, é imprescindível ter cautela e sabedoria para não embarcar de primeira no que dizem os discursos, as declarações, e sobretudo a imprensa.
Os avanços da tecnologia favorecem também o aprimoramento dos meios para manipular a opinião pública, seja pela palavra, seja pelo silêncio. Aqui, o dizer e o não dizer se equivalem quando a questão é distorcer e influenciar, sugerir, confirmar ou negar. E, claro, mentir.
É notório como boa parte da mídia não raro induz a opinião da sociedade, não à verdade como se apregoa, mas à defesa dos interesses de grupos e, em última análise, dos seus próprios interesses. E o faz de muitas formas, dentre as quais repercutindo declarações que tão estranhamente como surgem, se diluem no vácuo de contradições e desmentidos.
Façamos o jogo, senhores! – é o que sugere ser a palavra de ordem onde deveria prevalecer o interesse da sociedade que escolhe (tantas vezes infelizmente mal) seus representantes, sofre sob o peso dos impostos e espera. Espera e crê, sem mais alternativas.
Desqualificar as instituições é tiro certeiro no pé. Até porque são elas que garantirão ao cidadão a elaboração e aplicação de leis justas que defendam o interesse comum. Ao eleitor cabe ter agilidade, esperteza e percepção na hora do voto. A mesma agilidade, esperteza e percepção a que tantos indignos representantes, eleitos ou não, recorrem para se realizarem politica e financeiramente, deixando a nós, eleitores descuidados, desatentos, relapsos ou ingênuos, o sorriso sarcástico que nos rotula de otários.

2 comentários:

Célia Rangel disse...

Perfeita a articulação em sua crônica polarizando a responsabilidade para toda a questão de não nos envolvermos, com política o que gera um eixo absurdo de cidadãos desconectados com o mundo. Tudo é política! Dependemos dela, através nossas ações, para uma vida digna. Jogamos errado nas urnas, por "não treinarmos" uma vivência sadia e autônoma.
Abraço.

Almir Albuquerque disse...

Permita-me fazer uma ressalva que o próprio texto apresenta.
É muito difícil "saber votar" num sistema eleitoral que permite que o poder econômico tenha uma influência tão grande na eleição, e que tudo faz para que o jogo se resuma a 2, no máximo 3 candidatos potenciais.
Como convencer o eleitor que o candidato que se encontra na quinta posição nas pesquisas, que não faz propaganda, nem aparece em todos os bairros, não é elogiado por vereadores e deputados, é o melhor candidato que o primeiro, aquele que está a todo tempo nas mídias?
A proibição do financiamento empresarial de campanha pelo STF é uma medida que eu pretendo verificar a longo prazo, pois, se não inventarem subterfúgios, vai influenciar diretamente na escolha do eleitor.
Grande abraço,
Almir Albuquerque
Panorâmica Social