sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Çalve o portuguez

(Imagem: Google Images


Mesmo correndo o risco de ser lido como um rezingão (a palavra soa como a marcação do ‘barulho’ ensurdecedor e ritmado a que muitos motoristas submetem quem esteja no seu caminho), não custa registrar ainda uma vez o descaso generalizado e crescente com a pobre Língua Portuguesa. Falar e sobretudo escrever de forma correta está se tornando artigo raro como a credibilidade das lideranças.
Não se considere aqui o ‘falar do povo’, que é o que se conhece, mas o modo pelo qual as faixas supostamente mais eruditas da população se comunicam. Começando pelos jornais, de onde os revisores – no passado denominados copidesques – parecem ter sido definitivamente banidos. Dia desses, um dos maiores jornais brasileiros estampou na primeira página uma pérola, ao noticiar que determinado jogador era suspeito de fraudular a compra de um automóvel.
Recorro ao Dicionário Etimológico Nova Fronteira da Língua Portuguesa, de Antônio Geraldo da Cunha, e confirmo que o vocábulo fraudar, cujo significado é burlar, enganar, tem origem no latim – fraudare. Há também fraudador, fraudatório e fraudável, além dos advérbios fraudulentamente e frauduloso.
Dos discursos parlamentares e de outras lideranças, com raríssimas e notáveis exceções, então nem se fale. Não bastasse o conteúdo tantas vezes ‘fraudulento’, a forma como são transmitidos maltrata ao limite o idioma e a gramática. Na ânsia de se atualizarem em relação a termos que vão para a vitrine da noite para o dia, oradores usam e abusam de vocábulos como protagonizar, estruturante e fatiar, entre outros.
Desnecessário falar da internet – exemplo recorrente de desleixo com o idioma. Bobagens como “não vejo a hora de tá aí com você” são rotina não das piores, digitadas por gente formada, diplomada, com mestrado e até doutorado.
Segundo Monteiro Lobato, a pátria é o idioma, e só nele a gente pode pensar bem e dizer besteira. Não nos deveria surpreender que uma nação a tal ponto descuidada com seu idioma, seja tão tolerante com outras graves formas de desrespeito, a começar com a confiança depositada pelo eleitor em seus eleitos.

4 comentários:

Célia Rangel disse...

... E o lema é "Pátria Educadora"...
Quando derrubam pela política, pessoas competentes da área educacional, e coloca-se em favorecimento próprio, pessoas com outra finalidade - a de preservação do poder! "ÇALVEM A Pátria!"
Abraço.

Lucélia Muniz França disse...

“O perfume das flores e o canto dos pássaros encham a tua vida de coisas boas e que saiba conduzir suas conquistas para essa nova semana! Uma semana encantada!”
http://www.luceliamuniz.blogspot.com.br/

ॐ Shirley ॐ disse...

Muitas pessoas, Célia, tem vergonha de falar corretamente e outras, "formadas", não sabem redigir um simples bilhete.
Isso é triste.
Um beijo, amiga!

Almir Albuquerque disse...

Esse é um assunto complexo, com muitas correntes. Algumas elitistas, outras apenas realmente preocupadas com a nossa comunicação escrita e verbal.
Minha visão é de que realmente existe um descaso lamentável com nosso idioma.
Mas não culpo os falantes, e sim o Estado, que carece de uma política de massificação da leitura, a forma mais eficiente de fixar o idioma na cabeça do falante.
Enquanto formos uma nação em que 70 por cento dos indivíduos não pegam um livro sequer pra ler em um ano, conforme pesquisa recente, teremos essa dificuldade.
Grande abraço,
Almir Albuquerque
Panorâmica Social