domingo, 12 de julho de 2015

Peixe e abacaxi

(Imagem: Pinterest, pin de Recyclart)


Uma tirinha publicada como parte de antiga campanha publicitária para um jornal, afirmava que peixe e abacaxi têm escamas, porém nem peixe é abacaxi e nem abacaxi é peixe. Ilustrava-se, assim, o risco que representam as meias-verdades – praga que hoje se generaliza não apenas na política, mas sobretudo na comunicação onde, supõe-se, deveria haver honestidade no tratamento do que se passa ao público.
Manipulada com refinada técnica, a comunicação através da mídia tem transformado meias-verdades em fatos irretorquíveis sobre os quais não se aceita discordância, sob pena de que recaia sobre os contrários, quando nada, o rótulo de preconceituosos.
A gente do povo no Brasil, sabidamente, não alimenta preconceito de raça, cor ou religião. Porém uma maldosa e distorcida estratégia de abordagem da opinião pública tem procurado 'esticar a corda', polarizando posicionamentos quanto a essas e outras questões, na tentativa de tirar de conflitos muitas vezes artificialmente criados, dividendos trocados por fatias de poder, votos e audiência.
É claro, há na sociedade setores que defendem e praticam hábitos inadmissíveis, contrariando uma visão conceitual de igualdade, justiça e liberdade. Essa chaga está viva como nunca até em nação tida como a mais democrática do mundo – os Estados Unidos da América. Mas lá como cá, felizmente ela não é predominante.
A prática do preconceito deve ser combatida com a educação e com a lei, e jamais com o estrelismo e a avidez hipócrita dos que repetem aquela velhinha da anedota que, muito vaidosa, subia a todo instante numa cadeira no centro do salão de festas lotado de fotógrafos e colunistas sociais, para gritar ao microfone que não queria ser fotografada.
Rarefeito de bom senso e capacidade de discernimento, o ambiente político do país, assim como boa parte de sua mídia, precisa rever-se com uma dose adequada de humildade e espírito público, se é que se pretende começar a restabelecer a verdade.
Porque, afinal, abacaxi é abacaxi e peixe é peixe.

2 comentários:

Célia Rangel disse...

Mas que é um "senhor abacaxi" engolirmos "tubarões políticos & outros", com suas escamas e espinhas aviltantes... lá isso é mesmo, meu caro Eduardo! Excelente a contemporeidade de sua crônica.
Abraço.

soninha cidreira disse...

Quem lê o que a mídia divulga há de ter o bom senso em discernir alhos de bugalhos, peixe de abacaxi e tantas outras coisas veiculadas por aí.
Quando se pensa com o próprio cérebro, nada muda em seu pensamento, nem o distorce.
Muita paz!