domingo, 5 de abril de 2015

Peregrino


(Imagem: Flickr, do álbum de wesbs)


Abriu os olhos lentamente quando chegava o dia. Logo aprendeu a estar no escuro-claro, a driblar a insegurança do desconhecido, a encantar-se com a surpresa. Agarrou mãos, amou olhos, sorriu para sorrisos.

Chorou, brincou.

Se iluminou caminhos, o azul da manhã também revelou sombras. Descobriu formas, tamanhos, cores, gente e rumos, cão, flores e dores. Mas também houve risos, sonhos, diversão.

Amou.

Entregou-se no calor do meio-dia. Esfalfou-se. Mais gente, mais dores, menos risos – sorrisos. Soube da solidão, que enfrentou a dois, a quatro. Mas ainda havia sonhos, projetos, futuro. Pediu fé.

Conduziu.

Ocaso de sombras e fina névoa em tarde morna. Os olhos procuravam, sorriam silêncio no claro-escuro. Corações que se iam, surpresas que se revelavam em solidões e lágrimas.

Lembrou.

No frio da noite procurou mãos, recordou olhos, desejou sorrisos.

Cansado e só, adormeceu.

(Repost)

3 comentários:

E.P. GHERAMER disse...

Sim, Peregrino e Forasteiro nós somos.
Grande abraço, Eduardo!

Célia Rangel disse...

O cansaço da solidão, da falta dos afetos, e da valorização humana são os que mais marcam em nossas cruzes...
Abraço "peregrino"...

António Jesus Batalha disse...

Ao passar pela net encontrei seu blog, estive a ver e ler alguma postagens é um bom blog,gostei de o conhecer é daqueles que gostamos de visitar, e ficar mais um pouco.
Tenho um blog, Peregrino E servo, se desejar fazer uma visita.
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Minhas saudações.
António Batalha.
Peregrino E Servo